"Me chamo Ana e quando eu era pequena nunca assisti a muitos contos de fadas. Acho que por isso sou assim hoje: desacredita. Isso seria bom ou ruim? Ser desacreditada é melhor que ser iludida? Ando achando que sim. Vivemos em um deserto de almas. Um deserto que todos estão em busca da mesma coisa, de uma coisa que nós chamamos de ”amor”. Depois que cresci, comecei a assistir aos filmes infantis e “A Bela e a Fera” se tornou a minha história preferida. Lógico que eu sou a fera. Não por ser um monstro, mas sim por ser selvagem e precisar de amor para ser domada. Mesmo que eu queira que não me domem. Mas não seria contraditório está a procura de um amor quando não se quer se domada? Já que é isso que o amor faz: doma, acalma. Na minoria das vezes. Pelo menos pra mim, desculpa, nunca foi assim. Suponho que me entender não seja questão de inteligência e nem de todas aquelas frases clichês. Me entender é questão de coragem. Sim, coragem. Coragem para navegar em águas turbulentas, desacreditadas. Me sinto como um livro velho na estante rejeitado pela cor da capa que não agrada, ou pelo título que não daqueles tão atrativos. Deve está impresso na orelha dele ”Não me leia” ou que foi desacreditado pela propaganda boca a boca. Acho às vezes que a culpa é minha. Devo ter um imã que atrai todos os homens que não servem para nada. E eles estão em todos os lugares. Nos bares, nas ruas, calçadas, avenidas, aniversários infantis. Lá estão eles falando da última gatinha que comeu ou quem sabe da próxima. Que felizmente não será eu. Gosto de homem com cérebro e infelizmente eles gostam de mulher sem um. E infelizmente não posso dá esse prazer a eles. Mas onde estão mesmo aquelas pessoas interessantes, onde dá vontade de você conversar por horas a fio e nunca ir embora e dividir uma caixa de bis branco, rir, contar da sua vida. Onde estão as pessoas que façam você se sentir bem, feliz, encaixada? No Japão, Londres, Indonésia ou ao seu lado e você nunca se deu conta? A mesma pergunto faço para o amor. Aonde ele está? Ao meu lado e eu nunca me dei conta? Muitas vezes não paramos para pensar nisso. Será que o guri que eu vi na padaria terça seria o amor da minha vida se eu tivesse dando a oportunidade de nos conhecermos? Nunca vou saber. Porque as coisas infelizmente nunca voltam depois que passam. Já era. Já foi. Esse será o grande defeito? Estamos o tempo todo procurando um amor, uma pessoa especial, mas não nos damos a oportunidade para ela aparecer? Dizemos que estamos dispostos a arrumar um amor, mas no fundo não estamos. Ou queremos algo impossível, ”perfeito”, ou como o ex. Sempre estamos fechados no nosso próprio universo e muitas vezes perdemos algo incrível por isso. Navegamos apenas nas águas mais superficiais do outro, pouca vezes nos damos a oportunidade de conhecer as profundidas do interior, o que aquela pessoa tem a oferecer de melhor. Mas, apesar de todos os nossos erros, dores, quedas e falhas espero que tenhamos força pra continuar, espero que tenhamos esperança e especialmente paciência. Mesmo ela sendo amarga, os frutos serão doces. Iluminados são aqueles que não desistem na primeira queda, no primeiro fracasso e ainda tem força de lutar pra procurar e viver um novo amor. Enquanto eu estou aqui esperando alguém que me faça sentir tudo que esse maravilhoso - sim, ainda teimo em acreditar - sentimento tem a oferecer .“Desculpem, sou antiga. Gosto de andar de mãos dadas. E mais do que beijos e amassos, quero amor e continuidade.” Enquanto isso me contento com meus romances , meus escritos, minhas lembranças. E nada pior do que o conformismo. Afinal escrevo aqui como um grito, um grito no silêncio. Apesar de ser a fera só quero que me domem e me salvem do feitiço. "

(Source: hushgoesdatrigga, via letsfight)
(Source: clockworkfloyd)

(Source: vomitgram)

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